O Plural
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Havia um certo tempo desde o último amor, ela até que estava se acostumando bem com a vida singular, mesmo que, as vezes estivesse ali um sujeito, bem ao lado. Aos olhos dos outros uma mulher singular, que se fortificava e crescia, diariamante. Mesmo sentindo-se dessa maneira, percebia também, a enorme diferença entre a capacidade e a execução desta independência. Sem contar que não era este, no fundo, seu verdadeiro jeito de ser. Ela gostava como qualquer outra, de mimos.
Se deixar cuidar ficou difícil. Permitir sentir ficou praticamente impossível, e quando ela percebia que os sentimentos mais intensos estavam prestes a florescer, saía em disparada, totalmente sem rumo, com a única intenção deixar essa sensações bem longe de si. O lado negativo deste estado de não se achar sob domínio ou influência estranha é que, a maioria das pessoas acostuma-se com ele. Ela era prova disso.
Com o passar das fases, a mulher percebeu que a maioria das coisas em sua vida tornaram-se mais fáceis de administrar, mas ela sabia também que não era a maneira mais gostosa viver, porque tanta simplicidade trazia consigo certa solidão.
A questão não era a falta de pretendentes ao cargo, mas o tamanho da exigência de si mesma e racionalidade diante deles. Justo ela, que outrora foi tão emocional...
Lembrava-se ainda, que o último a quem ela amou, não tinha o mesmo timming. Fora extremamente importante em sua vida, mas os dois não conseguiam acertar os passos.
Foi então que, ele passou a fazer parte de sua vida. Podiam-se dizer colegas, o conhecimento sobre a vida do outro era razoavelmente superficial. E, da mesma maneira como os furações, terremotos, totalmente sem aviso, no meio de histórias e vulcões que se olharam de verdade.
Ela aprendeu com ele, que nem sempre precisa-se de timming, o momento é agora. Se todos esperassem sempre pela hora certa, talvez não houvesse o Grito da Independência. Ele percebeu com ela, que, na chuva, sempre tem alguém disposto a se molhar com você.
Eles têm andado de mãos dadas, como velhos amantes, sentem-se como se convivessem há anos, são cúmplices.
Ele acreditou nela, e ela confiou nele. São muito parecidos mas com histórias diferentes por isso se entendem.
Ela reaprendeu a dividir, a se entregar. Ele pronuncia sempre na 1a pessoa do plural, e ela adora. Ela teve medo e ele mostrou que ela pode sim. Ela e ele viraram tão derepente, eles, onde as noites tornaram-se mais suculentas e os dias mais saborosos.
Entre vinhos e risadas, conversas sérias e outras nem tanto, entre risotos e beijos eles têm se divertido.
Ao lado dele, ela tem vontade de ficar.


